domingo, 5 de julho de 2015

Cenas antológicas de novelas de amor - Rafael e Serena em "Alma Gêmea"

Terê, o menino órfão acolhido por Serena, adulto, escreve a história da cidade, proferindo o discurso:

"É uma emoção muito grande eu estar aqui.
Eu era um menino de rua, até que a Serena cuidou de mim.
Aprendi a ler com o seu pai Kátia, o avô de vocês, meninas, Seu Elias, que Deus o tenha. Ele me ensinou o amor pela leitura. Hoje, eu sou um escritor.
Essa história é de vocês, sobre vocês.
A senhora, Dona Agnes, Ciro.
[Agnes: Eu fico grata, Terê!  Muito grata por ter lembrado de mim.]
É a história de um encontro de duas almas gêmeas. Duas almas que não podem se separar por toda a eternidade. Alma gêmea.
Eu escrevi essa história, na verdade, eu fui um canal de um mistério maior. Coração. Esperança. Não morrem.
Eu sei que ... eu ... eu, você, todos nós vamos nos encontrar em muitas vidas.
Aqui, na eternidade. Em outros futuros. Pra sempre. Porque a alma ... a alma é o verdadeiro ser do homem."


Cenas antológicas de novela de amor - Linda Inês e Flamek de Fera Ferida

Cenas do Capítulo 75 da Telenovela Fera Ferida encenada pelas personagens Raimundo Flamel/Feliciano Júnior (Edson Celulari) e Linda Inês (Giulia Gam):

"Eu queria que você olhasse nos meus olhos para ver que estou sendo sincero.
Pra você ver que eu não estou falando apenas com a minha boca, e sim com todo o meu coração.
Eu quis vir pra Tubiacanga pra me vingar, sim.
Eu tentei ficar afastado de você porque ... porque você era a lembrança mais doce, mais pura, mais feliz que eu tinha dessa cidade.
Eu tinha medo de ... de destruir essa lembrança.
Desde o dia em que eu saí dessa cidade, expulso com os meus pais, eu nunca mais tive felicidade.
Até o dia que eu não pude mais fugir do meu destino ... e deixei que o meu amor que eu tinha e que eu sempre tive por você viesse à tona novamente.
Eu te amo, Linda Inês. Eu sempre te amei. E vou te amar até o fim dos meus dias."







segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Qual dor dói mais?

Tenho que ser forte. Mas já estou com saudades. Como é traiçoeira essa porcaria de saudades. A razão diz "esqueça, agiu bem, siga em frente". E aemoção já comprou passagem, pulou atrasada no último vagão daquele trem vagaroso. Já está viajando. Lamenta o-quê-não-viveu. Certa vez conversava com um amigo, há muitos anos, sobre as dores do coração. Discutíamos delas qual dói mais, se a de ter perdido ou a de nunca ter vivido. Na época, ele conhecia e falava com propriedade da primeira - ter perdido - e eu da segunda - nunca ter vivido. Eu defendia veementemente a minha dor sem mesmo conhecer a dele. Isso aconteceu há uns doze anos. Meu amigo casou, tem filho, formou familia. Não sei se superou aquela perda. Diz-se por aí que não de todo. Casou-se com uma moça muito parecida fisicamente com aquele amor perdido. Não sei, perdemos o contato próximo. Eu não me casei. Mas, nesse meio tempo, que nem foi tao meio assim, pude vivenciar as duas dores. Da perda e do não-viver, além de bônus extra no quesito "dores emocionais". Li num lugar por aí "colecionaDOR". Eu adoro colecionar. Via sentido nesse destaque da palavra apenas ao fazer com ela referência ao desapego e os benefícios que ele pode trazer pra leveza humana. Mesmo assim, sem muito sentido profundo. Hoje, vi outra significação nessa escrita. Eu sei colecionar dores. E é viciante, como toda coleção. Quase uma obsessão. Quando a vida trouxe uma, e duas, e três, fui pegando o jeito de lidar com essa situação. Ela tornou-se conhecida e, pois, confortável, pra mim. Administrar o conhecido é relativamente fácil, estamos na nossa zona de conforto. O contrário da dor, em última instância, o amor, este passou a ser um desconhecido completo. E, como tal, temido. Assustador. Aterrorizante. Só uma vaga lembrança, reminiscências, aquelas que ficam carimbadas no nosso interior. Medo. Cheguei a preferir uma dor certa do que uma felicidade incerta, arriscada. Medo. E por hoje é só. Porque escrever alivia dores emocionais. E minha coleção me curva os ombros neste momento. Voltando ao assunto desviado: qual dor dói mais?
A não-vivida.
A dor do amor perdido punge certamente. Mas pelo simples fato de ter sido experimentada, aqueceu, fez calor, transformou. Fluiu, moveu, movimentou, transformou, frutificou. Nasceu, viveu, morreu. Sobreviveu, em alguns casos. Teve chance! É sim. Respirou, gritou no mundo, deu o ar da graça. Vibrou energias. Cumpriu algum tipo de missão. Uniu algo. Plenificou-se como pôde.
Ah... A dor de não ter vivido é triste porque é seca, infértil. É falta, é lacuna, é buraco. É não. É escuridão. É cheias de "e se..." E carrega uma bagagem pesada de expectativas frustradas. É nó, no peito, na garganta, que não desata. É castelo desmoronado, é casa mal-assombrada, é tempo mal-resolvido. É triste, é sofrência que demora da gente.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Eu quero um amor assim...

Eu quero um amor eterno
Eu quero um amor que revele brilho no olhar
Eu quero um amor cujo cheiro me remeta ao aconchego
Eu quero um amor sem estratégias, sem joguinhos, sem artimanhas
Eu quero um amor pra quem eu não precise me privar de ligar para não parecer incomodo
Eu quero um amor a quem eu possa procurar a qualquer hora e receba colo
Eu quero um amor que jamais demonstre que eu desagrado ao procurá-lo mesmo nos momentos menos próprios
Eu quero um amor que me apoie mesmo quando o mundo estiver contra mim
Eu quero um amor que ache meus defeitos charmosos
Eu quero um amor que me ligue no meio da tarde só para dizer que sentiu saudades da minha voz
Eu quero um amor que se emocione quando vir no visor do celular meu número chamando
Eu quero um amor que vele meu sono, pelo prazer de me ver dormir
Eu quero um amor a quem eu possa confiar as minhas fragilidades
Eu quero um amor que, sabendo das minhas fragilidades, jamais as use contra mim num momento de discussão
Eu quero um amor que seja gentil com as minhas vulnerabilidades e não as utilize como arma
Eu quero um amor que saiba das minhas fraquezas, compreenda-as e me ame mesmo assim
Eu quero um amor além do bem e do mal
Eu quero um amor baseado, que a confiança seja a base sólida da relação
Eu quero um amor que me faça criar borboletas no estômago por muitos anos
Eu quero um amor com quem eu tenha boas e longas conversas, o que sustentará nossa relação na velhice
Eu quero um amor que, mesmo que esteja desapontado com o mundo, saiba que tem em mim um porto seguro
Eu quero um amor que sonhe com nossos filhos juntos
Eu quero um amor que vibre com todos os projetos a dois (de um, de outro e nossos)
Eu quero um amor que me compreenda com um olhar
Eu quero um amor que saiba o significado de transformar-se em uma só carne
Eu quero um amor que venha de outras vidas ou vá para outras ou crie elos eternos nesta vida mesmo.
Eu quero um amor que transcenda a precariedade deste vida terrena e faça valer a magnitude dessa espécie de sentimento.
Impossível.

Dor de amor: a segunda mais dolorida

Acabei de ouvir uma interessante palestra de um renomado profissional da área da medicina-psiquiatra e psicoterapia e fiquei refletindo sobre o que foi dito sobre a dor de amor, segundo pesquisas norte-americanas, são as mais doloridas, cedendo lugar apenas para a perda de pai jovem de um filho jovem.
Embora não tenha passado pela primeira dor (considerando filhos biológicos, pois se tratando se relação maternal, vivenciei, fato que, inclusive, me trouxe a este espaço), eu diria que a dor de amor é realmente dilacerante.
Como disse o terapeuta, é a dor da morte, de morrer para o ser amado, de desaparecer, de ser eliminado do coração que, até então te acolhia, te carinhava, te deixava confortável.
Certa vez, há muitos anos, quando comentava sobre este mesmo assunto com um amigo, ele me disse que mais dói a dor de perder um amor do que nunca ter vivido um que se desejou com todas as forças.
Na época, eu não tinha subsídios para avaliar (não tinha vivido ambas as situações), mas aquela reflexão ficou em mim.
E hoje, segundo a minha percepção (que, naturalmente, é diferente e única) dói mais amar e nunca ter sido correspondido.
Um amor vivido tem lastro, produziu frutos, tem condão de missão cumprida. Veja bem, não que nao doa, pelo contrário. Mas a dor tem natureza "balsâmica", digamos, de se ter experimentado um privilégio, de poder preservar lembranças singulares, preciosas. Há um tesouro a ser guardado.
O amor-não-vivido é oco, pobre. Não reverbera nada. É um grito desesperador no vácuo. Não produz som. Empurra garganta abaixo, sem água, uma imensidão de sensações efervescentes que jamais serão vividas. É um alimento que faz mal. Que esfrega o estômago. É um lixo que a gente acumula e depois tem a maior dificuldade para se livrar dele...

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Cenas antológicas de novela de amor: Paloma e Briuno de "Amor à Vida"

Ontem, 31/01/2014, passou na televisão o último capitulo da novata da Globo "Amor à Vida".
Uma frase que a personagem de Bruno disse à esposa Paloma foi muito marcante a mim:
"Você me deu o maior presente que um homem pode receber: um filho. Eu te amo muito, muito".
Eu acho o sentido desta frase um dos mais fortes que existem, desde que confirmado com atitudes e não da boca pra fora.
Aliás, qualquer palavra vazia de significado e atos perde qualquer efeito.
Eu acredito em palavra de honra. Que a honra do sujeito era medida pela sua palavra. Falou, está falado. Não havia necessidade de formalizar o dito com escrita, papéis, instrumentalizações. A palavra tinha sua força, gerava condutas e era respeitada como tal.
Enfim, divagações à parte, todo fim de novela tem desfechos geralmente felizes, todas as controvérsias são resolvidas, o vilão se dá mal (ou deixa os mocinhos em paz), os casais apaixonados ficam juntos, casam-se, têm filhos e são felizes.
Isso é comum um último capítulo. Por mais que não tenhamos assisto a novela diariamente, o final muita gente assiste, mesmo sem saber muito sobre. As pessoas têm necessidade de ver mais paz, alegria, felicidade, reconciliações.
Mas, em mim, essa frase do Bruno que citei teve repercussão especial e profunda.
Eu não sei se alguém diz com a intensidade que deve ser dita e com o amor que deve ser prolatada.
Fiquei com um aperto no coração, por talvez ser justamente "coisa de novela".

http://globotv.globo.com/rede-globo/amor-a-vida/v/paloma-da-a-luz-um-menino/3117923/

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Compaixão

Impressiono-me com a pouca capacidade de compaixão das pessoas, ou seja, pouca capacidade de compreender o estado emocional de outrem, de apresentar um sentimento de pesar ao ver os males alheios e, o mais importante, tornar-se acessível a essas pessoas de algum modo para que possam aliviar ou amenizar aquelas dores (mesmo que não mensuremos ou concordemos ou compreendamos por completo).
Eu abomino frases de "apoio" clichê como "se precisar de algo...", "qualquer coisa, me procura". Será, mesmo? Quantas pessoas do seu rol de amizades a quem você pode telefonar as três da madrugada aos prantos e relatar uma grande dor (pelo menos a você) sem receio de incomodar, sem julgado, atrapalhar o sono e o trabalho do dia seguinte?
Não falo das perturbações desimportantes, viciosas, de quem perde a noção e passar a incomodar um amigo. Falo daquelas que fazemos quando a alma quase que não suporta o peso que curva as costas. E não são rotineiras.
Mas eu sempre me coloquei assim às pessoas a quem dei acesso, a quem ofereci amizade. Estar disponível sempre (ainda que tivesse que acordar cedo pra trabalhar dia seguinte). Se a dor se abater as três da madrugada, que me procure justamente as três da madrugada e eu atenderei prontamente. Talvez não tire a dor, mas posso emprestar o ombro e ajudar a carregar aquilo que lhe pesa.
E, sem qualquer modéstia, não encontro seres que tenham essa disponibilidade de alma como eu tenho. Não sou melhor (mesmo, a vida é prova disso), mas, sim, o como gostaria de que vissem comigo.
Mas todos têm prioridades urgentes e mais importantes que as dores humanas. Inclusive aquelas pessoas de quem você mais espera. Curioso que, é mais comum receber um alento de alguém de quem a gente jamais esperou algo do que daquela pessoa que vice mais esperava calor humano.
O que pode, neste mundão afora, ser mais importante do que acalmar um coração desesperado, dolorido, ferido, machucado? Eu, realmente, não vejo situação que mereça mais atenção. Ainda que existam as atividades do dia, trabalho, compromissos, as dores que atingem a alma são tão pungentes, não é aceitável não haver um pequeno tempo do dia para alguém tentar acalmar o coração alheio.
Eu queria fazer deste espaço um local assim!